Yoga: por que praticar?

Tenho praticado bastante ultimamente. E por causa disso tenho me questionado bastante sobre o que me leva a retornar ao tapetinho todo dia, apesar do cansaço físico e mental…e a sensação que sempre me vem à mente quando penso nisso é   e s p a ç o, ou melhor,  a falta dele. Aliás, existe uma música do Chico Buarque – Morte e Vida Severina que me retorna à lembrança quando penso nisso…

Outro dia, falei sobre envelhecimento e sobre como uma bela postura tem um efeito rejuvenescedor poderoso. Costas eretas e bem alinhadas trazem um aspecto jovial a qualquer um. Para isso acontecer, vértebras e discos vertebrais necessitam de espaço para seus movimentos…

Agora, juntando tudo:

O que me move a retornar ao tapetinho atualmente é o maior e s p a ç o que descubro dentro de mim. Percebo, a cada dia, uma expansão gradual e silenciosa, uma conquista de novos territórios dentro do meu próprio corpo que não desconfiava estivessem disponíveis para mim. Aos poucos, sinto menos limites nas minhas articulações (coluna principalmente), maior amplitude de movimentos…mais liberdade!

E a música do Chico? Bem, adoro João Cabral de Mello Neto…em Morte e Vida Severina o confinamento, a contenção de movimentos e a impotência são tão bem colocados e claros que formam um contraponto perfeito para definir tudo o que eu não sinto quando pratico.

Às vezes, é mais fácil definir alguma coisa pelo que ela não é…e é para isso que deixo Morte e Vida Severina.

joaocabral

Morte e Vida Severina

Composição: Chico Buarque sobre poema de João Cabral de Mello Neto

Esta cova em que estás, com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida

É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida

É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo, te sentirás largo

É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas à terra dada nao se abre a boca

É a conta menor que tiraste em vida

É a parte que te cabe deste latifúndio
(É a terra que querias ver dividida)

Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas à terra dada nao se abre a boca

(FONTE: http://letras.terra.com.br)

E você: pratica por que razão?

Anúncios