Tempo livre

Devido à crise econômica mundial, as buscas pelas aulas de Yoga aumentaram (Repare que não é apesar da crise, mas devido à crise.)

As pessoas sentem a necessidade de algo que as ampare e as acalme nestes tempos tão instáveis…é o que dizem as últimas estatísticas sobre o mundo do yoga americano.

Como tudo pode sempre ter um lado bom, segue outro cartoon , agora da revista The New Yorker.

Nosso amigo, pelo menos, empregou bem suas horas de folga! Como ele diz: “Tive muito tempo livre este ano.”

Yoga na crise

Tempo livre e yoga

Campeonatos estão de acordo com a filosofia do Yoga?

Bikram Yoga Championship

Na semana passada, foi divulgada no Jornal The New York Times uma notícia no mínimo curiosa. Aconteceu em vários estados americanos, promovido por Bikram Choudhury – criador da modalidade Bikram Yoga (Hot Yoga)- um campeonato de yoga. Cada participante deveria executar uma série pré-determinada de elevado grau de dificuldade. Houve uma votação e os “melhores (!?)” foram premiados. Bikram Choudhury e sua esposa pretendem, a partir desta iniciativa, levar o Yoga para os Jogos Olímpicos.

As reações dentro da comunidade iogue americana foram variadas, mas a maioria se disse incomodada com esta posição de Bikram Choudhury. Embora a divulgação do Yoga possa ser imensa pela sua inclusão nos Jogos Olímpicos, não devemos esquecer que Yoga não é sinônimo de prática física e que não é reservado somente aos mais flexíveis. Classificar as pessoas como melhores iogues pela sua execução de asanas somente é algo que contradiz todos os textos antigos. A prática física é uma parte dentro do mundo do Yoga como estamos vendo nos Yoga Sutras de Patanjali. Fazer divulgação somente deste aspecto da filosofia pode afastar a grande maioria das pessoas ao invés de aproximá-las.

Não precisamos ir muito longe para ver como este assunto é delicado e deve ser analisado com critério. É bastante comum, em todas as modalidades de Yoga, guiar sempre os alunos para que se concentrem em sua prática e que não tentem compará-la com a dos seus vizinhos. Não causaria uma contradição dizer isso durante a aula e, ao fim da prática, incentivar os “melhores” a participarem de uma competição?

Mais uma demonstração da inevitável e, às vezes, polêmica interação de Ocidente e Oriente…não é a primeira e, certamente, não será a última.

Você acredita que  “Campeonatos estão de acordo com a filosofia do Yoga?

Veja aqui a opinião das pessoas sobre este assunto…

A importância da prática individual

É muito prazeroso ver como a beleza da evolução na prática do Yoga, especialmente do Iyengar Yoga, acontece naturalmente.

Hoje, estava praticando sozinha na minha sala, quando uma das minhas alunas entrou e ficou ao meu lado fazendo algumas posturas que ela escolheu, utilizando muito bem nossos acessórios. Ela havia reclamado de sua lombar na última aula e estava executando – sozinha – uma determinada sequência baseada em nossas aulas. O mais engraçado é que ela trouxe outra aluna para praticarem juntas…

Fiquei observando, bem quietinha, as duas praticando e vi como é, de fato, inerenete ao método Iyengar fornecer instrumentos para que os praticantes consigam tirar o que necessitam de uma sequência de asanas. Conforme a prática avança, vamos percebendo do que precisamos e de que forma conseguiremos isso. Inclusive, no artigo sobre Dor Lombar postado aqui há algum tempo, uma das vantagens apontadas da prática de Iyengar Yoga regular seria a de capacitar o praticante para que ele passe a cuidar de si de uma forma inteligente e segura. Quando se pratica sozinho, muito se aprende, principalmente, sobre seu próprio corpo.

No início, pode ser a repetição de uma sequência feita em aula, por exemplo. O que importa é criar uma regularidade e confiar na sua prática, percebendo os efeitos dela no seu corpo e na sua mente.

Isso não significa que se deva abandonar a supervisão de alguém mais experiente. Esta supervisão é importante na medida que eventuais e certas dúvidas aparecerão durante a busca pelo caminho que lhe trará maior benefício físico e mental, introduzindo os ajustes necessários e novas informações.

Portanto, a prática individual é, ao mesmo tempo, fruto da prática constante e fator de transformação da própria prática.

Para nossa inspiração, uma foto de nosso Guruji Iyengar tirada da Revista Vanity Fair. Praticando sozinho…

Iyengar praticando

Yoga: por que praticar?

Tenho praticado bastante ultimamente. E por causa disso tenho me questionado bastante sobre o que me leva a retornar ao tapetinho todo dia, apesar do cansaço físico e mental…e a sensação que sempre me vem à mente quando penso nisso é   e s p a ç o, ou melhor,  a falta dele. Aliás, existe uma música do Chico Buarque – Morte e Vida Severina - que me retorna à lembrança quando penso nisso…

Outro dia, falei sobre envelhecimento e sobre como uma bela postura tem um efeito rejuvenescedor poderoso. Costas eretas e bem alinhadas trazem um aspecto jovial a qualquer um. Para isso acontecer, vértebras e discos vertebrais necessitam de espaço para seus movimentos…

Agora, juntando tudo:

O que me move a retornar ao tapetinho atualmente é o maior e s p a ç o que descubro dentro de mim. Percebo, a cada dia, uma expansão gradual e silenciosa, uma conquista de novos territórios dentro do meu próprio corpo que não desconfiava estivessem disponíveis para mim. Aos poucos, sinto menos limites nas minhas articulações (coluna principalmente), maior amplitude de movimentos…mais liberdade!

E a música do Chico? Bem, adoro João Cabral de Mello Neto…em Morte e Vida Severina o confinamento, a contenção de movimentos e a impotência são tão bem colocados e claros que formam um contraponto perfeito para definir tudo o que eu não sinto quando pratico.

Às vezes, é mais fácil definir alguma coisa pelo que ela não é…e é para isso que deixo Morte e Vida Severina.

joaocabral

Morte e Vida Severina

Composição: Chico Buarque sobre poema de João Cabral de Mello Neto

Esta cova em que estás, com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida

É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio

Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida

É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo, te sentirás largo

É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas à terra dada nao se abre a boca

É a conta menor que tiraste em vida

É a parte que te cabe deste latifúndio
(É a terra que querias ver dividida)

Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas à terra dada nao se abre a boca

(FONTE: http://letras.terra.com.br)

E você: pratica por que razão?

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